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Dinheiro muda tudo

Publicado: 04/01/2011 em Do peito, FDP
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– Instrumental –
The Smiths – Money changes everything

 

Cerca de seis anos se passaram desde a última vez que nos vimos. Não posso dizer que foi uma despedida do tipo que deixa saudade, afinal, para mim sequer foi uma despedida, foi mais como ver os amigos se despedindo de alguém com quem eles se importavam. Eu me importava com meus amigos, o que acabou tornando aquele momento algo significativo, porém, bem distante de qualquer sentimento bom em relação a sua partida, embora também não chegasse próximo de algo ruim. Indiferença talvez.

Sabendo agora de sua morte eu poderia me deixar render por aquela coisa inocente ou hipócrita de enumerar coisas boas, mas não há coisas boas. Para ser bem sincero, não tive as melhores das impressões desde a primeira vez que te vi e com o tempo você conseguiu cativar ainda mais minha aversão, de forma que se algum dia eu lembrar de qualquer impressão positiva no mesmo momento eu a renegarei. Bem, esteja onde estiver não me leve a mal, isto é apenas o que sinto.

Se decidires por algum motivo aparecer para conversar sobre o porquê, saiba que não vou dar qualquer resposta. Também não me peça para fazer qualquer pergunta, pois acho que já não quero saber. Acho que até mais do que isso. Não quero diálogos, nem brigas, nem qualquer coisa. Bem, talvez eu gostasse de tirar o incômodo de nunca ter dito a você o quão completamente estúpido você se portava na maioria das vezes, tentando provar o que não era preciso; dominar o que deveria ser sempre campo livre; dizer o que não precisava.

Sei o quanto é duro o caminho para chegar ao lugar que mais se deseja, e isso, independente de qualquer coisa que possa ser dita, foi mais do que uma conquista, foi um mérito! Mas o que mudou ou o que deveria mudar? Sei que ainda estou no começo da estrada e por isso ainda terei de descobrir por mim mesmo, mas já enxergo tantas coisas fúteis, tantas conquistas vazias, tantas marcações desnecessárias, tanta demonstração de poder estúpida no seu exemplo que me questiono se terminarei da mesma forma que você terminou.

Bem, mas se algum dia aparecer para conversar, você acha que devo pedir que alguém me avise se eu deixar de ser quem sou? Ou seria melhor pedir que alguém me avise se eu me tornar mais do que eu sou hoje? Bem, se pararmos para pensar sobre você, a segunda opção caberia bem melhor. Você não concorda?

Cabeça de camurça.

Publicado: 28/09/2010 em Crônicas, FDP
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Why do you come here?
When you know it makes things hard for me?
When you know, oh
Why do you come?

Morrissey – Suedehead

Quer dizer que ela começou a sair com alguém? Interessante. Se eu vou fazer alguma coisa? Claro, você me conhece, mas ainda é muito cedo, vou dar mais um tempo.

[…]

Então ele a pediu em namoro? Então é hora. O que eu vou fazer? Primeiro eu dou um jeito de cruzar com ela em algum canto, mas eles têm que estar junto. Por quê? Eu sei que ela vai ficar sem graça, fica com medo de me magoar ou uma besteira assim. Como se fosse ela que tivesse me dado o fora. Pois é, daí você já pode até fazer um julgamento. Concordo, e é exatamente aí que está a brecha. Sim, sim. Na hora que eu passar por ela é só eu fingir que estou surpreso, mas não é só isso. Tenho que dar um jeito de parecer de uma forma negativa por ter encontrado ela com alguém. Onde? Se ela não mudou seus hábitos, faço até idéia de onde ela vai estar amanhã. Tudo bem, eu te conto como foi.

[…]

Olá?! Sim, estou bem. Prazer. Não, não posso, tenho que fazer algo, estava apenas procurando alguém. Aviso sim. Abraço. O prazer foi meu.

[…]

Você tinha que ter visto o susto que ela tomou, o mais difícil foi não rir. Então… A gente ficou junto quanto tempo, quatro anos? Seis?! Certo. Se você parar para pensar, nesse momento de começo de namoro, com certeza ela deve estar com um monte de dúvidas do tipo se quer entrar logo em outro namoro, ou se ainda sente algo por mim, essas coisas. É, com certeza, ela deve estar insegura. Concordo. Isso, mais do que ela já é. Pois é, isso mesmo. Se eu aparecer agora enquanto ela ainda está cheia de dúvidas, qualquer contato comigo vai fazer com que ela pense em mim pelo menos um pouquinho, em como se sentiu, como eu me senti, blá blá blá. Agora? Vou dar uns dois dias e aí vou mandar uma mensagem sem algo demais, só um oi, um como está, talvez. O ideal é mandar uns dois dias depois, e não pode ser cedo, tem que ser tarde da noite. Será que vou ter que te explicar tudo, não dá para você pegar o feeling? Se passar alguns poucos dias, vai parecer que fiquei pensando nela esses dois dias. Isso. Vai fazer ela se perguntar porque eu estava pensando nela àquela hora da noite. Obrigado. Saí com ela ontem, mas ela não transa bem. Não quero mais, ela é do tipo só uma vez. Se você quiser eu te apresento, mas vou logo avisando que fiz de tudo, cuidado para não respingar em ti. Vai se fuder. Viadinho. Pode deixar.

[…]

Acorda otário. Ela acabou de responder. Disse que também tinha ficado surpresa em me ver. Vai ser tão fácil que se ela não dificultar um pouquinho vai perder metade da graça.

[…]

Dá uma olhada. Mas eu não estou dizendo nada demais, só que quero sair para conversar, para desencanar de vez e sermos amigos. Quanto tempo você acha? Aposto cinco minutos.

[…]

Quatro minutos?! Foi mais rápido do que eu pensava. Amanhã. Vou responder dizendo que pego ela em casa. Eu te ligo depois que a deixar

[…]

Você está linda. De nada. Obrigado. Está tudo bem, e no seu? Sério, parabéns. Sempre disse que você merecia. Não disse? Então deveria ter dito, desculpa. Nem tanto, algumas coisas mudaram. Sério, sério. Você quer comer alguma coisa? Podemos sim, sempre gostei de lá. Não? Caramba, eu estou me enrolando todo. Só um pouco nervoso. Nada, nada, é só que… Deixa para lá, vamos só aproveitar hoje, tudo bem? Sério, não há nada demais. Já disse que você está linda? Obrigado.

[…]

Chegamos. Eu também gostei muito. Perdão, foi sem querer, foi só a força do hábito. Sério, não tem problema? Não quero estragar isso que está começando agora. Você é ótima sabia? Carinha de sorte esse que você está namorando. Que foi? Vai conta. Tudo bem, você conta depois. Boa noite. Você está linda, não esquece. Ligo sim. Beijo.

[…]

“Também adorei, boa noite”.

[…]

Mandei uma mensagem hoje pela manhã. Falei que queria vê-la novamente. Ela disse que não dava, porque tinha o aniversário de uma sobrinha do babaquinha lá. Só um “ok”. Assim ela vai ficar pensando se fiquei triste ou zangado. Se ela achou que fiquei zangado, ela vai me mandar uma mensagem mais tarde dizendo para eu não ficar zangado.

[…]

Pois é, acabou de chegar. Foram quatro anos… Sim, sim, seis. Tenho que ter cuidado para não errar se ela perguntar algo. Até.

[…]

“Como foi ontem? Não, hoje não posso. Essa semana está toda cheia. Se der ligo segunda para ti. Até mais”.

[…]

Olá. Não estou não. Sério. Vai fazer algo hoje? Vamos comer algo? Já ia sugerir. Certo. Às nove, certo? Beijos.

[…]

Serei repetitivo se disser que você está linda? Obrigado. Aqui está bom? Vinho? Garçom?! Só mais uma taça, não é demais. Adoro quando você faz esse sorriso. Nada. Quer dizer, só deu um pouco de saudade, sabe? Sinto sua falta. Não fica assim, desculpa pelo que disse. Não estou calado. Nada. Fiquei um pouco zangado sim. Eu sei que não tenho o direito, mas é que às vezes… Não sei. Acho que estou confuso. Acho melhor irmos. Não, não, você não estragou nada. Vamos? Não fica assim, você não estragou nada. Eu… Por que você fez isso? Não quero deixar você confusa. Eu só…

[…]

Goza pra mim, vai. Goza pra mim.

[…]

Saiu melhor do que imaginei. Isso mesmo, minha casa. Só você vendo, foi tudo perfeito. Até isso. Humrum. Isso. Disse que eu era a pessoa mais carinhosa do mundo. No mínimo. Dou duas semanas. Até agora acertei todas. De acordo.

[…]

Não errei uma. Só mais duas semanas e mando passear. Claro que eu não vou dar o fora assim. Pois é, tem que deixar uma raiz plantada, vai que chega uma estiagem. Ela disse que era por que ia voltar para mim. Isso mesmo, ele não vai querer voltar já que o motivo foi esse. No mínimo. Hoje à noite. Super-empolgada, quase senti pena. Tomo banho lá mesmo e vou direto para a casa dela. Não é sorte estar com as duas, é só fazer bem-feito. Otário. Só se for as duas mãos.

[…]

Sei lá, parei nem para pensar. Uns quatro minutos. Claro que não. Só se foi depois, no chuveiro. Levantei e fui para o computador. Disse que a culpa era dela por ser tão gostosa. Foda-se.

[…]

“Não posso. Estudando”.

[…]

Na frente dela. Ligou umas cem vezes. Foi logo perguntando por qual motivo eu estava fazendo aquilo. Falei que não devia satisfação a ela, que não estávamos namorando. Com certeza. Eu disse que ela tinha deduzido isso e que eu não tinha obrigado ela a terminar. Pois é. Sei lá onde. Não, não, vou apenas mandar uma mensagem dizendo que não dá. E o problema é meu? Quanto eu tiver a fim procuro novamente.