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Mi.

Publicado: 07/11/2011 em Do peito

Eu sei do “não sei”. Mas você não sabia que preciso ouvir para perceber em mim mesmo. Não sabia. Mas, enquanto parecia fazer mal, quando me senti de uma forma que pensei em um decisivo porque, eu soube do porquê em mim, do quanto ele sempre esteve aqui, todas as vezes, apesar de eu achar que era sempre de fora para dentro e não de dentro para fora.

Não há perfeição. E apesar de ter pensando que eu havia deixado de tomá-la como norte, vi-me de repente a retomando. Mas eu pude perceber, não, você me ajudou a perceber, o quanto fui contraditório entre o dizer e o fazer e estou tentando enxergar diferente outra vez.

Às vezes esqueço e me sinto além. Que em mim está tudo bem, que não preciso mudar, quando na verdade, um “não sei” me faz perceber o quanto estou equivocado. Eu sou um equívoco. Mas estou tentando não ser e mesmo sem saber você contribui comigo.

E você diz, brincando, que ficou alguma coisa, pois seu coração ficou. E mesmo que eu não diga que o meu ficou com você, saiba, sem duvidar, que se volto, é porque é meu coração que me faz voltar. É por querer ficar deitado ao teu lado. É por querer dormir e acordar. E desculpa por eu ser tão chato, tão egocêntrico, tão impertinente. Eu sei do “não sei”, mas estou disposto a mostrar, ainda que nunca tenha dito as palavras, que existem motivos e que é por isso que eu não vou, e que é por isso que eu não deixo você ir sem a promessa de que vai estar de novo amanhã.

Quando pensava nas outras vezes me parecia ser eu uma vítima, ou do tempo ou das medidas. Mas estava enganado, pois vejo claramente o quanto alimentei algo que se transformou em fim. E com você eu fiz o mesmo. E me surpreendi ao perceber que, diferente destas outras vezes, você não partiu, mas ficou e me abraçou e mesmo sem dizer me disse que pode ficar tudo bem. E eu adoro que você tenha feito assim. E é por isso que eu hoje eu vim embora, mas não vim completamente, pois metade do meu coração ficou você. A outra metade veio comigo para não me deixar esquecer de voltar.

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I’m on your side
When times get rough
And friends just can’t be found
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

Simon & Garfunkel – Bridge Over Troubled Water

Eu mentiria se dissesse que as conseqüências não continuarão comigo por certo tempo. E tenho certeza que esquecerei as conclusões quando houver a próxima vez. Eu tento ficar em mim, calado, buscando disfarçar, mas sempre me entrego quando escrevo palavras que me ajudam a entender. Palavras que você sempre lê e sempre entende, mesmo quando discorda. E entendo teu discordar e tomo para mim, pois sei que é sincero e que me fará bem, mesmo quando parece do avesso.

Agora vem e me diz, você é quem pode me ajudar a compreender. Onde está o erro? Ou qual é o erro? É o tentar? Creio que você vá responder que não, mas não sei, é algo que não me parece tão absurdo assim. Como também não parece absurdo esperar por você para formular a minha decisão final, pois enquanto eu complico você vem para o inverso. E para mim isso é fácil de aceitar pelo simples fato de que sou o que penso e o que decido. E se eu deixo que me ajude a decidir é porque você já é parte de mim, e eu não existo mais sem você.

Quando te conto delas, você sabe que sinto que devo dizer o que sinto, mesmo que seja – em parte – por culpa da noite e da música e das conversas e das bebidas, mas a ação em si não tem nada de anormal. Anormal é quando tenho que passar por esses momentos para dizer algo que estou sentido ou pensando ou até mesmo que estou morrendo apenas por tentar viver completamente. Pois realmente não me sinto sozinho, mas me sinto incompleto. E mesmo quando rio, às vezes não é suficiente. E mesmo quando choro, não parece me fazer bem. E mesmo quando amo, parece meio vago. E mesmo quando odeio, não sinto do jeito correto. E isso não é sobre o amor que sinto por você, mas é sobre o amor que nós dois procuramos em algum lugar que não fazemos idéia e sequer temos qualquer pista.

Mais uma vez eu vou sim deixar para lá (você consegue lembrar quantas vezes já te disse isto e depois você teve que me ouvir dizer que voltei atrás e te fiz sentir vergonha por mim?). Não porque eu não tenha perdido o que construí ou não ligue mais para a ilusão do que poderia ser, mas porque parece o certo do jeito que você me disse. Bem, vou descobrir. E se qualquer dia eu te escrever dizendo que voltei atrás e falei tudo o que não deveria dizer, é porque sei que você sempre estará aí para mim, da mesma forma que sempre estarei aqui para você.

Não fosse isso.

Publicado: 18/04/2011 em Crônicas, Do peito
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não fosse isso / e era menos
não fosse tanto / e era quase
Paulo Leminski

Muitas vezes a pior coisa que faço é dar início a algo, embora esse algo simplesmente comece e quando dou por mim já me parece absurda a nova percepção das coisas quando comparo o novo pensamento com aquele de pouco tempo atrás. Passo então a me ver totalmente envolvido e me desapegar não é mais assim tão fácil, mesmo quando concluo que não existe afinidade, nem vontade de compartilhar algo futuro. Nem mesmo estar junto é assim tão bom, com exceção dos momentos em que não é preciso dizer nada e basta deixar o corpo agir por si. Assistir isto se tornar o nosso pilar e acreditar que seria fácil de desconstruir foi um erro. Como também foi não entender que o problema seria, em uma nítida repetição de outras vezes, a falta de uma definição clara entre o que acho e o que realmente acontece.

Ajo por impulso e digo um monte de coisas, mas logo depois paro para pensar, diante do fim iminente, sobre o que realmente me incomoda. Deveriam ser a palavras ditas, agora e antes, já que estamos zangados e dizemos coisas que não queremos ou que queremos apenas para magoar, mas não é isso. Deveria ser o medo de ficar só, mas se nunca esteve realmente presente, isso também não se torna um motivo definitivo. Talvez seja o ego, por querer que a outra pessoa simplesmente implore para não deixar para lá, embora ela apenas diga “tudo bem!” e diga “obrigada, adeus!”, mas não é a primeira vez que escuto isso, apesar de ser a primeira vez que isto me incomoda tanto e embora pareça que antes eu sabia, agora eu já não sei mais.

Sei que deixo tudo confuso quando digo que está tudo errado, que não tem sentido, que a base está ruindo e que isto é o certo. Digo tudo de forma clara, palavra por palavra. Digo tudo o que quero para provar um ponto de vista que acredito, mas não queria acreditar, e cinco minutos depois eu já me arrependi e quero voltar atrás, mas parece que não dá mais, pois ela desistiu. Desistiu não só de nós dois, mas também de me entender, de me aceitar como sou, pois sou cansativo e dramático e patético. Mas eu sempre lutei pelo que quis então eu queria sentir que a pessoa também luta por nós, mas quando ela diz não em um silêncio insuportável e deixa pra lá isso me dói e então a chamo de covarde e digo que é muito mais fácil fugir. Mas eu sei que no fim o covarde sou eu por afirmar algo de maneira tão certa e logo após me arrepender e voltar atrás apenas porque não aconteceu o que eu gostaria que acontecesse.

Um covarde.

Ela me diz que dói e eu digo que me dói também. Tento, sem saber bem porque, encontrar as palavras corretas, inversas as que disse a pouco, para ter de volta algo que provavelmente não quero mais. Mas não sou eu quem diz tudo o que eu precisava dizer, e quando escuto sinto raiva e a odeio e a quero longe de mim. Mas ela está certa, para que manter quando se pode evitar? Para que fingir que será um tempo feliz, quando sequer conseguimos evitar nos magoarmos quando estamos presentes?

Faaca

Publicado: 03/02/2011 em Crônicas, Do peito
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Quero ver você dançar
Em cima de uma faca molhada de sangue
Enfiada no meu coração.
Mombojó – Faaca

 

O sangue cai gota a gota enquanto aperto com força o resto do prato que quebrei. Ela não expressa qualquer reação, embora eu a olhe fixamente, o que faz com que se torne ainda maior a raiva que sinto. Tenho que me concentrar para não perder a razão, mas não consigo.

“Ela não sente nada” é a única coisa em que consigo pensar de forma clara. O resto é um turbilhão de xingamentos e histórias que haviam morrido, mas que voltam agora como se fossem eternas e me fazem pensar “Puta!”, mas é “Puta” que sai da minha boca para ofendê-la sem efeito algum, enquanto ela apenas sorri.

Posso matá-la agora mesmo e de repente esta é a única solução. Penso por um segundo em como chegamos até aqui. Antes éramos tanto e tínhamos tantos planos e então, quase que sem perceber a diferença de tempo, estou na cozinha com o que sobrou do prato me cortando e eu sangro e penso e nunca estive tão certo de algo: devo matá-la. Se ela chorasse, gritasse ou xingasse eu a perdoaria, mas o silêncio não, não posso mais suportar.

Ela olha para a janela como se não houvesse nada em volta. Livro minha mão e sem pensar pego a faca que se encontra em cima de mesa e caminho em sua direção. Ela percebe o que fiz, mas nada faz. Paro a sua frente por um segundo esperando dela apenas um suspiro que me faça desistir, mas não há nada. Então, com um único golpe, enquanto a vejo fechar os olhos, sinto a faca que carrego rasgar-me o peito, trazendo-me dor junto a sensação de estar finalmente livre.

Caio de joelhos agarrando-me em suas pernas tentando-me em vão me segurar, mas não consigo e caio sobre seus pés. O sangue empoça em minha volta, mas antes que eu deixe de ter qualquer tempo posso ainda vê-la sentar ao meu lado, passar o braço delicadamente embaixo de minha cabeça e sorrir para mim, olhando-me nos olhos, enquanto passa a mão em meus cabelos e em meu rosto, fechando meus olhos e beijando minha boca uma última vez antes de dizer adeus.

Dinheiro muda tudo

Publicado: 04/01/2011 em Do peito, FDP
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– Instrumental –
The Smiths – Money changes everything

 

Cerca de seis anos se passaram desde a última vez que nos vimos. Não posso dizer que foi uma despedida do tipo que deixa saudade, afinal, para mim sequer foi uma despedida, foi mais como ver os amigos se despedindo de alguém com quem eles se importavam. Eu me importava com meus amigos, o que acabou tornando aquele momento algo significativo, porém, bem distante de qualquer sentimento bom em relação a sua partida, embora também não chegasse próximo de algo ruim. Indiferença talvez.

Sabendo agora de sua morte eu poderia me deixar render por aquela coisa inocente ou hipócrita de enumerar coisas boas, mas não há coisas boas. Para ser bem sincero, não tive as melhores das impressões desde a primeira vez que te vi e com o tempo você conseguiu cativar ainda mais minha aversão, de forma que se algum dia eu lembrar de qualquer impressão positiva no mesmo momento eu a renegarei. Bem, esteja onde estiver não me leve a mal, isto é apenas o que sinto.

Se decidires por algum motivo aparecer para conversar sobre o porquê, saiba que não vou dar qualquer resposta. Também não me peça para fazer qualquer pergunta, pois acho que já não quero saber. Acho que até mais do que isso. Não quero diálogos, nem brigas, nem qualquer coisa. Bem, talvez eu gostasse de tirar o incômodo de nunca ter dito a você o quão completamente estúpido você se portava na maioria das vezes, tentando provar o que não era preciso; dominar o que deveria ser sempre campo livre; dizer o que não precisava.

Sei o quanto é duro o caminho para chegar ao lugar que mais se deseja, e isso, independente de qualquer coisa que possa ser dita, foi mais do que uma conquista, foi um mérito! Mas o que mudou ou o que deveria mudar? Sei que ainda estou no começo da estrada e por isso ainda terei de descobrir por mim mesmo, mas já enxergo tantas coisas fúteis, tantas conquistas vazias, tantas marcações desnecessárias, tanta demonstração de poder estúpida no seu exemplo que me questiono se terminarei da mesma forma que você terminou.

Bem, mas se algum dia aparecer para conversar, você acha que devo pedir que alguém me avise se eu deixar de ser quem sou? Ou seria melhor pedir que alguém me avise se eu me tornar mais do que eu sou hoje? Bem, se pararmos para pensar sobre você, a segunda opção caberia bem melhor. Você não concorda?

Do lado de dentro.

Publicado: 25/12/2010 em Do peito
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Abre essa porta.
Que direto você tem de me privar
desse castelo que eu construi?
Los Hermanos – Do lado de dentro

 

Como não compreende se é tão claro?
Você percebe que me dou
e que já não existe mais nada em mim, nem mesmo o que eu sou?
Se é que ainda sou alguém quando há sua ausência.

Será que nem mesmo as marcas que desenho em mim provam o contrário?
Escrevo sem dizer em linhas que me marcam e esqueço do amor na dor.

Não vá, pois sou tua.
Não vá, pois se for, não mais existirei e a culpa será tua.
Não me deixe! Não pode!
Eu sou tua e você é meu.
Será que você não entende?
Será que você…

Oh, meu amor, eu te amo. Tanto!
Aceitaria até que você deitasse com outra
enquanto ficaria em casa cuidando das tuas roupas.
E quando você voltasse, eu estaria.
Sequer ligaria se você não me olhasse,
se não me dissesse,
se não me quisesse.

Eu estaria lá, fingindo uma felicidade que não existe
só para não te deixar partir.
Para você saber que minha voz é a tua voz.
Meu olhar o teu olhar.
Minha alma teu brinquedo.

Dê-me apenas tua mão e eu me darei,
pois sei que você se importa com isso.

Eu sei.
Eu sinto.
E não me deixe fora.
Por favor, não me deixe.

Sinto novamente quando toca a pele.
Imagino que é você para tentar acreditar
que é isso que você provoca em mim,
mas eu não consigo.
Pois quando a dor passa, eu volto para você
e esqueço que estive distante, longe de mim,
sem saber direito se é certo,
se é que ainda existe certo além do que você me diz.

E não desfaça agora. Por favor, não desfaça.
Não desfaça jamais.
Não desfaz o que eu fiz,
mesmo sem você saber.
Os planos, a casa, as crianças.
Era tudo o que você queria, certo?
Então porque agora, tão perto?
Por que agora não mais?

Vou cortar para sentir algo.
Vou cortar até partir.
Já que não posso mais, pois está além.
Além do que construí.


Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado
Legião Urbana – O livro dos dias

Querida amiga,

Tentei por várias vezes e durante certo tempo ver o melhor em tudo, construindo um encanto que seria motivo suficiente para seguir e viver. Mas há o superficial, o repugnante, as tristezas, os vícios, os seres… Com o tempo, o encanto se desfaz e é provável que fique apenas a tristeza, a desilusão e, obviamente, o desencanto. E assim nós nos desconstruímos, dividindo-nos em pedaços menores, buscando tornar a dor pontual, menos agressiva, menos angustiante. Porém, nunca é assim. As dores são pontuais, mas precisamos dos pedaços juntos para sermos completos e, como conseqüência, as dores se tornam uma só: a nossa dor.

Não falo de compartilhamento. Eu tenho as minhas dores, você tem as suas, as pessoas que amamos tem as dores delas. Mesmo quando é por um mesmo motivo, cada um tem a sua própria. Eu não entendo suas dores, mal entendo as minhas!, que são tantas que eu poderia passar a vida inteira observando e me perguntando os porquês que ainda assim eu morreria antes de sequer ter a primeira resposta. Mas é preciso viver ao invés de apenas sobreviver. Temos que encarar as dores e dizer que vai ficar tudo bem, algum dia, mesmo que ainda distante. Parece fácil dizer, certo?, mas é que realmente é muito fácil dizer. Fazer é outro século. Se coubesse apenas a nós mesmo é provável que levasse um tempo mais razoável, mas como tomar conta de si sozinho num mundo em que outras seis bilhões de pessoas estão perdidas da mesma forma que você? Quem não se sente assim já está morto. Seria bom acreditar fielmente que vai ficar tudo bem, que todos os problemas são solucionáveis, que as pessoas que amamos nunca vão nos decepcionar, mas não somos mais crianças e sonhos e crenças infantis devem terminar junto à infância. Pessoas dizem não querer deixar morrer jamais a criança que existem dentro delas. Metade disso é acerto, a outra é equívoco.

Uma vez perguntei à minha mãe porque a lua me seguia quando eu caminhava e ela respondeu que era porque ela seguia os meninos bonitos. Hoje somos racionais, mas tem gente que prefere acreditar que a lua o segue por sua beleza; que os anjinhos lavam o céu quando chove; que ele é azul porque deus pintou assim; que se cavarmos um buraco bem grande no chão vamos chegar à China; que cebola é bom e que se comermos verdura vamos ficar mais fortes; que papai Noel existe e que se ele não deu presente para o seu amiguinho é porque ele foi ruim com os pais e você deve ser bonzinho. Hoje, é quase tudo preto no branco, não existem outras cores: a lua tem movimento de translação; a chuva é culpa do ciclo de evaporação-condensação; o céu é azul por culpa da forma como a luz se espelha na atmosfera; que para chegar à China você precisa gastar muito dinheiro e fazer uma viagem de horas em um avião; que cebola definitivamente é horrível e que comer verdura não te deixa mais forte, mas ajuda na dieta; que Papai Noel vende em 12x sem juros no cartão e que seu amiguinho mais bonzinho não ganhou presente porque ou o pai não podia, ou não liga ou gastou com comida, e que aquele seu amiguinho que joga o prato na mãe e que bate na cara do pai ganhou de presente a bicicleta que você sempre quis. Assim é a vida. Isto é normal, é se tornar adulto. É uma merda, mas é assim. Merda é uma terceira cor com a qual convivemos e conviveremos muito.

Como se já não fosse difícil suficiente crescer enfrentando a insegurança, a timidez, a incerteza, logo chega a época em que o coração perde a razão que foi morar no cérebro em um processo de transferência inexplicável e que deve ser culpa de algum ancestral filho da puta que nos doou o maldito gene. Passamos então a nos tornar incompletos mesmo com todos os pedaços doloridos que juntamos para simplesmente sermos. Não sei como, mas em um dia qualquer encontramos um pedaço livre, que de tão lindo não podemos manter apenas com nós mesmos e doamos a alguém esperando que haja interesse, carinho, abrigo e um eterno desejo. Mas esse pedaço é perdido por quem deveria cuidar e no seu lugar fica um buraco que só sumirá ou diminuirá suas dimensões quando outros buracos surgirem por outros descuidos. E você pensava que quando fizesse dezoito anos iria ganhar um carro…

Porém, nossa dor às vezes torna-se nada quando vemos as pessoas as quais queremos bem não tão bem. Essa empatia pelo querido é natural, e se para alguém não é, tenha certeza que isto fala mais sobre a pessoa em si do que sobre o sentimento citado.

Quando nossos amigos choram devemos chorar junto ou enxugarmos suas lágrimas. Quando o mundo parece um pesadelo cabe a quem tem carinho mostrar que o mundo pode ser um sonho, nem que seja apenas com dois personagens que se divertem e vivem apenas quando estão juntos. Esses momentos podem ser os menores e os menos duradouros, mas com certeza são as lembranças que nos confortarão quando os pesadelos voltarem. E ainda existem vezes em que alguém quer nos confortar, mas faltam as palavras, que somem, e não sobra uma sequer para demonstrar o sentir imenso, o carinho, o amor.

Li há poucos dias que o ciúme entre um casal existe e é totalmente aceitável quando um deles dá um abraço em um terceiro. Pode parecer tolice, um gesto pequeno, mas, como foi lido, por alguns segundos o mundo de quem vê pertence totalmente à outra pessoa, um mundo no qual ela escolheu viver, mas que provavelmente não tem a escolha de partir. Por pouco tempo, esse alguém foi arrancado do seu mundo e resta apenas ficar sozinho, perdido, em qualquer lugar longe dali, ainda que por alguns eternos segundos.

Não vou mentir para você. Viver é difícil, bem mais do que deveria ser na verdade. A conclusão é que o mundo nos decepciona, machuca, tenta nos corromper. Porém, há alegria, há diversão, há coisas boas. Então esquece vai, deixa para lá, vem e nos abraça, pois durante esse espaço de tempo nós seremos seu mundo, enquanto o nosso será você, e nós não precisaremos de mais nada.

Com carinho,